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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Beltane


Hemisfério Norte: 1o de Maio
Hemisfério Sul: 31 de Outubro
Também conhecido como Dia 1o de Maio, Dia da Cruz, Rudemas e Walpurgisnacht, o Sabbat Beltane é derivado do antigo Festival Druida do Fogo, que celebrava a união da Deusa ao seu consorte, o Deus, sendo também um festival de fertilidade. Na Religião Antiga, a palavra "fertilidade" significa o desejo de produzir mais nas fazendas e nos campos e não a atividade erótica por si só.

Beltane celebra também o retorno do sol (ou Deus Sol), e é um dos poucos festivais pagãos que sobreviveu da época pré-cristã até hoje e, em sua maior parte, na forma original. é baseado na Floralia, um antigo festival romano dedicado a Flora, a deusa sagrada das flores. Em tempos mais antigos, esse festival era dedicado a Plutão, o senhor romano do Submundo, correspondente do deus Hades da mitologia grega. O primeiro dia de maio era também aquele em que os antigos romanos queimavam olíbano e selo-de-salomão e penduravam guirlandas de flores diante de seus altares em honra aos espíritos guardiães que olhavam e protegiam suas famílias e suas casas.

No dia de Beltane o sol está astrologicamente no signo de Tauros, o Touro, que marca a "morte" do Inverno, o "nascimento" da Primavera e o começo da estação do plantio. Beltane inicia-se, acendendo-se, segundo a tradição, as fogueiras de Beltane ao nascer da lua na véspera de 1o de Maio para iluminar o caminho para o Verão. Realiza-se o ritual do Sabbat em honra à Deusa e ao Deus, seguido da celebração da Natureza, que consiste de banquetes, antigos jogos pagãos, leitura de poesias e canto de canções sagradas. São realizadas várias oferendas aos espíritos elementais, e os membros do Coven dançam de maneira muito alegre, no sentido destrógiro, em torno do Mastro (símbolo fálico da fertilidade). Eles também entrelaçam várias fitas coloridas e brilhantes para simbolizar a união do masculino com o feminino e para celebrar o grande poder fertilizador do Deus. A alegria e o divertimento costumam estender-se até as primeiras horas da manhã, e, ao amanhecer do dia 1o, o orvalho da manhã é coletado das flores e da grama para ser usado em poções místicas de boa sorte.

Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat Beltane são frutas vermelhas (como cerejas e morangos), saladas de ervas, ponche de vinho rosado ou tinto e bolos redondos de aveia ou cevada, conhecidos como bolos de Beltane. Na época dos antigos druidas, os bolos de Beltane eram divididos em porções iguais, retirados em lotes e consumidos como parte do rito do Sabbat. Antes da cerimômia, uma porção do bolo era escurecida com carvão, e o infeliz que a retirava era chamado de "bruxo de Beltane", e tornava-se a vítima sacrificial a ser atirada na fogueira ardente.

Nas Terras Altas da Escócia, os bolos de Beltane são usados para adivinhação, sendo atirados pedaços deles na fogueira como oferenda aos espíritos e deidades protetores.

Incensos: olíbano, lilás e rosa.
Cores das velas: verde escuro.
Pedras preciosas sagradas: esmeralda, cornalina laranja, safira, quartzo rosa.
Ervas ritualísticas tradicionais: amêndoa, angélica, freixo, campainha, cinco-folhas, margarida, olíbano, espinheiro, hera, lilás, malmequer, barba-de-bode, prímula, rosas, raiz satyrion, aspérula e primaveras amarelas.


Ritual do Sabbat Beltane
O Sabbat Beltane dos Bruxos começa oficialmente ao nascer da lua da Véspera de 1o de Maio (ou de Novembro, no hemisfério sul), sendo tradicionalmente realizado no alto de uma montanha onde são acesas as imensas fogueiras de Beltane para iluminar o caminho para o verão e aumentar a fertilidade nos animais, nas sementes e nas casas. (Antigamente as grandes fogueiras da Irlanda, que simbolizavam o Deus Sol doador de vida, eram acesas com a centelha de uma pederneira ou pela fricção de duas varetas.)

Se você planeja festejar Beltane em ambiente fechado, deverá acender o fogo em um local apropriado. Certifique-se de colocar um galho ou ramo de sorveira sobre o fogo para reverenciar os espíritos guardiães de sua casa e sua família, trazendo boa sorte para a casa e mantendo afastados os fantasmas, duendes e fadas malévolos. Se você não tiver lugar apropriado, poderá acender 13 velas verdes-escuras para simbolizar a fogueira de Beltane.

Vista-se com cores brilhantes da Primavera (a não ser que prefira trabalhar sem roupa) e use muitas flores coloridas e de odor forte nos cabelos. Antes de vestir-se para a cerimônia, medite e banhe-se à luz de velas com ervas para limpar seu corpo e sua alma de quaisquer impurezas ou energias negativas.

Comece traçando um círculo de 3m de diâmetro e monte um altar no centro, voltado para o leste. No topo do altar, coloque duas estatuetas para representar a Deusa da Fertilidade e Seu consorte, o Deus Cornífero. Ao lado de cada uma delas, um incensório contendo olíbano e selo-de-salomão. No lado direito do altar, coloque um punhal consagrado e um cálice cheio de vinho. Acenda 13 velas verdes-escuras em torno do círculo.

Prepare uma coroa de flores do campo que florescem na Primavera, tais como margaridas, prímulas, primaveras ou malmequeres, e coloque-a no altar diante dos símbolos da Deusa e do Deus. Pode ser colocado um pequeno mastro decorado (com cerca de 1m de altura) à direita do altar, enfeitado com flores e fitas de cores brilhantes.

Ajoelhe-se diante do altar. Acenda as velas e o incenso. Feche os olhos, concentre-se na imagem divina da Deusa e do Deus, e diga: EM HONRA à DEUSA E AO DEUS CORNíFERO, E SOB A SUA PROTEçãO, INICIA-SE AGORA ESTE RITUAL DO SABBAT.

Abra os olhos. Pegue o punhal que está no altar, cumprimente com ele o leste, e diga: OH, DEUSA DE TODAS AS COISAS SELVAGENS E LIVRES, A TI EU CONSAGRO ESTE CíRCULO. Segure o punhal em saudação na direção sul e diga: ABENçOADA SEJA A VIRGEM DA PRIMAVERA, PARA ELA EU CANTO ESTA PRECE DE AMOR. ELA TORNA VERDE AS FLORESTAS E OS PRADOS, OH, DEUSA DA NATUREZA, ELA REINA SUPREMA.

Segure o seu punhal em saudação ao oeste, e diga: OLíBANO E SELO-DE-SALOMãO, GRAçAS A ELA QUE FAZ GIRAR A RODA!

Segure o punhal e saúde o norte, dizendo: ABENçOADO SEJA O SENHOR DA PRIMAVERA, PARA ELE EU CANTO A PRECE DO AMOR. DEUS DIVINO DAS TREVAS, DEUS DIVINO DA LUZ, ESTA NOITE EU CELEBRO OS SEUS PODERES FERTILIZANTES.

Coloque o punhal de volta no altar. Pegue a coroa de flores do campo e coloque-a no alto de sua cabeça. Quando esse ritual é realizado por um Coven, o costume é que o Alto Sacerdote a coloque sobre a cabeça da Alta Sacerdotiza. Ajoelhe-se diante do altar, olhando para as imagens das deidades pagãs da fertilidade. Abra os braços e diga: ESPíRITOS DA áGUA E DO AR, EU PEçO QUE OUçAM A MINHA PRECE: QUE O CéU E O MAR PERMANEçAM LIMPOS, QUE A TERRA SEJA FéRTIL E VERDE. ESPíRITOS DO FOGO, ESPíRITOS DA MãE TERRA, QUE O MUNDO SEJA ABENçOADO COM PAZ, AMOR E ALEGRIA.

Pegue o cálice de vinho e levante-o com o braço esticado, e, enquanto derrama algumas gotas no chão, como libação à Deusa e ao Deus, feche os olhos e diga: QUEIMEM OS FOGOS SAGRADOS DE BELTANE, ILUMINEM O CAMINHO PARA O RETORNO DO SOL. AS TREVAS DO INVERNO DEVEM AGORA TERMINAR, A GRANDE RODA DA VIDA GIROU NOVAMENTE. QUE ASSIM SEJA.

Beba o resto do vinho do cálice e, então, coloque-o de volta no altar. Apague as velas, mas deixe que o incenso termine de queimar. O ritual está agora completo, devendo ser seguido de um banquete, de cantos e danças na direção do movimento do sol em torno da fogueira de Beltane ou do mastro decorado para simbolizar a união divina da Deusa com o Deus.

Fonte: 'Wicca - A Feitiçaria Moderna', de Gerina Dunwich

Comemore o Samhain em casa

Comemore o Samhain em casa, com a sua família!

Comemore o Samhaim em casa, com a sua família!
“Uma mesa adornada com flores e maçãs, suco de maçã para as crianças, ponche, bolos de frutas ou torta de maçã, doces e muita alegria, são suficientes para festejar esta data e renovar as energias!”

No hemisfério sul o Samhaim ou dia das Bruxas é comemorado no dia 01/05.
É  o mais importante de todos os festivais, pois, dentro do círculo, marca tanto o fim de um ano que passamos e deve ser comemorado por todas as lutas e conquistas e o início de um novo ano.
 Nesta noite, o véu entre o nosso mundo e o mundo dos mortos se torna mais tênue, sendo o tempo ideal para nos comunicarmos com os que já partiram  para lhes enviar mensagens de amor e gratidão e receber em nosso subconsciente a sabedoria deles.
A noite do Samhain , é uma noite festiva, repleta de brincadeiras, música, danças e  e festa, pois marca o início de um novo período em nossas vidas, sendo comemorado com muito ponche, bolos e doces.
A cor do Sabbat é preto. O altar deve ser adornado com maçãs -  símbolo da Vida Eterna. O Vinho é substituído por cidra ou suco de maçã. Os nomes das pessoas que já se foram devem ser queimadas no Caldeirão, mas nunca com uma conotação de tristeza! No Altar e nos quadrantes não deve faltar as tradicionais máscaras de abóboras com vela dentro. Antigamente as pessoas colocavam essas abóboras na janela para espantar os maus espíritos e os duendes que vagavam pela noite do Samhain. Esta palavra significa "sem luz", pois, nessa noite, o Deus morreu e o mundo mergulha na escuridão. A Deusa vai ao Mundo das Sombras em busca do seu amado, que está esperando para nascer. Eles se amam, e , desse amor, a semente da luz espera no útero da Mãe, para renascer no próximo Solstício de Inverno como a Criança da Promessa. A Roda continua a girar para sempre. Assim, não há motivos para tristezas, pois aqueles que perdemos nessa vida irão renascer, e um dia, nos reencontraremos nessa jornada infinita da evolução.

Candlemas, Beltane, Lammas e Samhain são Grandes Sabbats, enquanto os Solstícios e Equinócios são pequenos Sabbats.

 Sóror Fortuna

Halloween

Hoje é o nosso dia comemore com sua família!

SAMHAIN - HALLOWEEN OU DIA DAS BRUXAS (31/10)

Sempre nesta época do ano ouço falar sobre o "Dia das Bruxas" como uma data folclórica, como se as bruxas não existissem ou estivessem muito distante... O Halloween se tornou somente um dia para vestir fantasias. Isso é triste, pois o significado místico  deste dia é muito importante e deve ser respeitado. É nosso dever, como bruxas resgatar este sentido e concientizar nossas crianças e familiares da importância de se harmonizar com a Grande Mãe, Gaia, a Mãe Natureza, e entender os seus ciclos, pois eles refletem diretamente em nós, em nosso corpo físico, na mente consciente e no inconsciente. Quando alcançamos este estado de harmonia com o planeta, deixamos de estar vivendo nele e passamos a ser parte dele e de todo Universo. Este estado de SER é puro êxtase manifestado na Encarnação. É o real sentido da existência física e através dele todo e qualquer sofrimento desaparece e a vida se transforma em felicidade plena. Este é o estado de Iluminação buscado pelos religiosos. Mas, enqusnto Monges se enclausuram em busca da paz de espírito, os pagãos se unem com o todo, pois sabem que a separação é uma ilusão. Não existe nem tu e nem eu, somente nós, pois juntos somos UM!
Este é o mais importante de todos os festivais, pois, dentro do círculo, marca tanto o fim como o início de um novo ano. Nesta noite, o véu entre o nosso mundo e o mundo dos mortos se torna mais tênue, sendo o tempo ideal para nos comunicarmos com os nossos entes queridos que já partiram com a finalidade de lhes enviar mensagens de amor e harmonia.  A noite do Samhain , é uma noite de alegria e festa, pois marca o início de um novo período em nossas vidas, sendo comemorado com muito ponche, bolos e doces. A cor do Sabbat é o negro, sendo o altar adornado com maçã, o símbolo da Vida Eterna. O Vinho é substituído pela cidra ou pelo suco de maçã. Deve-se fazer muitas brincadeiras, com dança e música. Os nomes das pessoas que já se foram são queimadas no Caldeirão, mas nunca com uma conotação de tristeza! No Altar e nos quadrantes não deve faltar as tradicionais máscaras de abóboras com vela dentro. Antigamente as pessoas colocavam essas abóboras na janela para espantar os maus espíritos e os duendes que vagavam pela noite do Samhain . Esta palavra significa "sem luz", pois, nessa noite, o Deus morreu e o mundo mergulha na escuridão. A Deusa vai ao Mundo das Sombras em busca do seu amado, que está esperando para nascer. Eles se amam, e , desse amor, a semente da luz espera no útero da Mãe, para renascer no próximo Solstício de Inverno como a Criança da Promessa. A Roda continua a girar para sempre. Assim, não há motivos para tristezas, pois aqueles que perdemos nessa vida irão renascer, e, um dia, nos encontraremos novamente, nessa jornada infinita da evolução.
Aqueles que seguem a roda do sul estarão comemorando esta noite o Beltane.
BELTANE - A FOGUEIRA DE BELENOS - FESTA DA PRIMAVERA (01/05)
O mais alegre e festivo de todos os Sabbats, o Deus e a Deusa se unem apaixonados. A Deusa se apresenta como a Virgem e é chamada a "Rainha de Maio" Em Beltane se comemora o amor que deu origem à todas as coisas do Universo. Em Beltane se ascendem duas fogueiras, pois é costume passar entre elas para se livrar de todas as doenças e energias negativas. Se não houver espaço pode se usar duas velas ou duas tochas. Uma das mais belas tradições de Beltane é o Maypole. Trata-se de um mastro enfeitado com fitas coloridas. Durante o ritual, cada membro escolhe uma fita de sua cor preferida ou ligada a um desejo. Todos devem girar trançando as fitas, como se estivessem tecendo seu próprio destino, colocando-nos sob a proteção dos Deuses. É uma tradição Wiccana jamais se casar em maio, pois este é o mês dedicado ao casamento do Deus e da Deusa.
Candlemas, Beltane, Lammas e Samhain são Grandes Sabbats, enquanto os Solstícios e Equinócios são pequenos Sabbats.
"Datas dos festivais para o  Hemisfério Sul"
-Lammas: 02/02
- Mabon: 21/03
- Samhain:01/05
 - Yule: 21/06
- Candlemas: 01/08
- Ostara: 21/09
- Beltane: 31/10
- Litha: 21/12
Saiba mais:

sábado, 30 de julho de 2011

O Chamado de Avalon


O Chamado de Avalon


A ilha sagrada de Avalon é linda e serena, mas somente para aqueles que preservam a sinceridade no coração. Além das brumas, a madrugada esmorece para dar lugar ao nascer do Sol e finalmente, a inspiração sagrada dos Deuses emerge através do tempo.
Invoco, com um suave canto, a fonte sagrada e sinto o seu frescor em minha face.
Avalon sempre existiu... Uma terra de amor e beleza, onde viver era simples como respirar. As pessoas corriam livres pelos campos e de nada se arrependiam, pois não havia motivos para ser aquilo que não se era. Poucos ainda se lembram dos campos floridos e das flores que vibravam em outras tonalidades.
Tudo era diferente. Muitos buscam novamente Avalon, mas este tempo não existe mais. A inocência era virtude e a verdade, qualidade.
As brumas se elevam e nos trazem recordações de um tempo distante... Nossos ritos eram sagrados, porque assim nos foi ensinado. Lá, não havia tradições nem contradições, só havia o amor. Simples como acordar e olhar o céu, sereno como contemplar o brilho das estrelas e como reverenciar o Sol e a Lua.
A Lua, sim, ela era mais límpida, como os nossos corações. Muitos estão aqui hoje, mas poucos se lembram, apenas sentem saudades do lugar. Avalon se foi apenas por ser bela, ninguém entende. Virtudes hoje são defeitos.
Mas onde está o caminho que nos leva de volta? Não sei, mas ainda está lá!
O véu da maldade encobriu tudo e as ervas daninhas cercaram todo o caminho em volta. Por que o desespero? Você escolheu viver em um mundo que não era seu. Mas Avalon ainda existe... Linda e serena.
Sinceridade é a verdade que não se esconde e nem se encobre. Você sabe porque já sentiu, mas mentiu e renegou suas origens, como muitos que escolheram o mundo das ilusões.
Avalon se foi, triste por mais um filho que perdeu. Como se enganam os que não acreditam. Não é apenas uma lenda, é um fato!
Alguns já sabem e estão voltando. Dura realidade, o coração não entende, se ilude, ama, mas não vai realmente atrás daquilo que se quer. Tudo em nome do ter antes de ser. Mas a vida empurra e a alma finalmente se liberta.
Voltei somente para avisar, mas não havia ninguém. Muito foi falado, poucos ouviram, alguns ainda entenderam, mas os verdadeiros filhos se foram. Não resta mais nada a fazer... Chamo a barca que nos levará de volta, além das brumas do tempo e do espaço, pois não consigo mais distinguir seus corações.
Seus ritos são apenas de morte, não existe mais renovação, somente o ego que se fortaleceu.
Avalon está lá, eu sei, mas não para aqueles que buscam o conto de fadas. Ao acordar, todos irão sentir que algo se foi. Sim, eu digo a vocês, se foi a inocência de ser simples e natural. Restou apenas a nuvem pesada dos pensamentos maculados e das atitudes mal pensadas.
Os bardos chegaram e não me resta mais nada a dizer, levo apenas aqueles que entendem que a beleza é infinita. Fiquem no seu ambiente que não é real.
- "Venha, aqui não é o seu lugar, transpasse as brumas e esqueça este mundo que não lhe pertence. Amanhã você não mais se lembrará."
Avalon se foi para nunca mais voltar e apenas retornará se o canto novamente souber invocar. Assim falou Morgana, através da sagrada inspiração... Awen!
Rowena Arnehoy Seneween ®

Extraído do livro Brumas do Tempo
Todos os direitos reservados.

Sagrada Sincronia
Em uma longa estrada
A vida percorre caminhos
Muda o rumo da jornada
Um sussurro leve e tristonho
Vozes que se perdem pela brisa
Muitas almas, duas vidas e um sonho...
Um mundo que começa a girar
Sem nenhuma razão para ficar
Doce melodia que não ousa calar
Ouça agora a voz do coração,
Além da misteriosa ilha de Avalon,
Perfeita harmonia repleta de emoção
Fluindo através da magia,
Presente na fina névoa de prata
Que brilha nessa mais bela sincronia!
Rowena Arnehoy Seneween ®

Extraído do livro Brumas do Tempo
Todos os direitos reservados.

A Lua da Tempestade - Agosto


A Lua da Tempestade - Agosto



Agosto é o mês da Lua da Tempestade que, simbolicamente, descreve o movimento das águas geladas. Lua dedicada à Deusa Brighid, que visa o equilíbrio entre a luz e a sombra... Em gaélico este mês chama-se Lúnasa, dedicado ao Deus Lugh e marca o início das colheitas no Hemisfério Norte.

Pronúncia em gaélico:  Lúnasa - Agosto

É o tempo de despertar as sementes da promessa, a esperança que se renova com a chegada da primavera. Renovar o seu mundo é a palavra-chave deste mês!

Para os celtas, o tempo era circular e não linear. Como um círculo dentro de outro círculo, onde a vida começa dentro de outra vida e o universo dentro de outro universo. É a eternidade em constante movimento.

O centro do mundo para eles era o lugar onde se está agora, onde está o seu espírito, corpo e coração, ou seja, a interligação consigo mesmo, a sua família e o cosmos.

O coração do Outro Mundo está na fonte da vida espiritual representada pelas águas sagradas, cuja fronteira é freqüentemente vista além mar, debaixo da terra, em colinas próximas a um lago (Sídhe), nos bosques ou simplesmente, dentro dos limites de uma névoa mágica e uma ilha.

Todas as fontes de água têm sua origem oculta nas profundidades abaixo da terra, onde a árvore da vida cresce para alcançar o céu... É o nutrir para crescer. A água que limpa, purifica e promove a cura, também flui através de nós.

Os elementos em si brindam esse novo ciclo e as águas das tempestades representam todo esse movimento interior. Nossas emoções que estão sempre emergindo à flor da pele, por vezes, precisam de uma manutenção e uma limpeza mais profunda.

Para promover essa limpeza, nada melhor que meditar com Brighid, a Deusa do Fogo, o elemento mágico que une os Três Mundos: a Terra, o Céu e o Mar... O fogo, como um presente dos Deuses, que transforma todos os outros três elementos, abrindo caminhos para o Outro Mundo.

Agora é hora de bebermos do poço da vida. Pare por um momento e olhe para dentro de você. Ouça o chamado da Fonte!

Em seu local sagrado coloque uma taça com água mineral. Feche os olhos e sinta o seu movimento interior, visualize o mar e suas ondas calmas e tranqüilas... Atraído por esse movimento você mergulha e se deixa levar por essa sensação de paz e leveza.

Eis que, de repente, surge um abismo, uma força maior lhe puxa para baixo, num movimento de total agitação, você adentra nessa espiral que lhe carrega para as profundezas da escuridão.

Você se debate e o ar lhe falta... Desorientado no tempo e no espaço, a vida passa pelos seus olhos e, quando tudo parece perdido, você ouve, finalmente, o rugido do mar que, com a mesma força lhe puxou para baixo, agora lhe liberta.

Você ascende numa espiral acima das ondas. Essa é a sua oportunidade de se libertar de todas as mágoas do passado e de curar as feridas que lhe pesavam a alma.

Saindo dessa agitação, respire profundamente e abra os olhos. Agora tome a água da sua taça, absorva a sua própria luz, sinta uma sensação de profundidade e bem-estar tomando conta de você.

O sagrado flui novamente purificado e a alma está pronta para o seu breve regresso!
Que os Deuses lhe abençoem...

Retirado de : www.templodeavalon.com


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Bruxaria Tradicional




Tudo o que você gostaria de saber sobre Bruxaria Tradicional

Esta entrevista foi publicada originalmente no blog Crux Sabbati e autorizada a publicação pela entrevistada, Katy de Mattos Frisvold. Bruxaria.net
Crux Sabbati: Quais as definições que você pode nos fornecer sobre Bruxaria?
Katy de Mattos Frisvold: Bruxaria,em matérias acadêmicas como História, Antropologia e Ciência das Religiões, é o uso alegado de poderes sobrenaturais ou mágicos. Na história isto já levou muita gente a enfrentar sérios problemas, incluindo o problema mais famoso de todos, a Inquisição. Pela pequena heresia de se roubar uma hóstia para realizar uma “simpatia”, uma pessoa podia arder na fogueira. Não é incorreto, por exemplo, declarar que a parteira ou a curandeira fosse considerada uma bruxa, pois o conhecimento das ervas e seus usos foram proibidos pela Igreja, sendo este papel sancionado a uma classe científica que ainda engatinhava. Vale também mencionar as conhecidas “velhacas” que moravam nos subúrbios, na margem entre a natureza e a sociedade, entre um limite e outro, lendo a sorte nas cartas e negociando talismãs.

CS: Existe diferença entre Bruxaria e Feitiçaria? Estas duas coisas estão ligadas?
KMF: Embora a teoria do antropólogo E.E. Pritchard dê sustentação à diferenciação entre bruxaria e feitiçaria, esta se resume ao uso de ferramentas externas ao próprio bruxo, e ele mesmo contra-argumentou usando o fator de popularidade, o de uso comum de associação, pelo menos na Europa. Historiadores em peso discordam por encontrarem traços abundantes que apontam para bruxas que poderiam igualmente usar técnicas físicas, da mesma maneira que tentavam isto através de “pensamentos”. As razões para as acusações de bruxaria, historicamente, caiam em quatro categorias gerais:
1.     Uma pessoa que era pega no ato de feitiçaria, “positiva” ou “negativa”
2.     Pessoa bem intencionada, curandeira, que perdeu a confiança de seu cliente ou das autoridades
3.     Uma pessoa anti-social
4.    Uma pessoa que reputadamente era uma bruxa e era cercada por uma “aura estranha”
Em suma, qualquer um que sinta se encaixar nestas definições pode reclamar o título de “Bruxo” por direito, e feitiçaria, como exposto, é uma prática inerente ao título de “Bruxo”, embora não exclusiva daqueles que se chamam bruxos uma vez que existem vários outros caminhos espirituais que utilizam estas práticas, a exemplo doVoodu. Se nos fundamentarmos na história e mitologia, a Bruxaria é uma realidade poética que pertence à humanidade. Como o Nicholaj disse certa vez: “A bruxaria é tratada como uma parte importante e integrada de nossa herança como seres humanos. Dado o ritmo acelerado em que nosso mundo se torna cada vez mais cético e materialista, acabamos perdendo os valores tradicionais implícitos nos reinos invisíveis, descartados como supersticiosos.” Torna-se claro que qualquer pessoa pode reclamar o título e o caminho, e com isso se intui mudar este mundo doente. Eu suspeito muito daqueles que resistem a esta idéia protegendo este título com unhas e dentes.
CS: Qual é a ligação entre Bruxaria e Paganismo?
KMF: Uma idéia que tem crescido e se espalhado sem muito questionamento liga a figura da Bruxa a um obrigatório sacerdócio, ou seja, uma “Bruxa sacerdotisa de um culto Pagão ou Neopagão”. Contudo, esta ligação não encontra respaldo histórico ou mitológico até a criação da Wicca, no início da década de 50, por Gerald Gardner, que criou um híbrido capaz de abraçar tanto o ethos da Bruxaria e o ethos Neopagão.
CS: Você poderia falar um pouco do que é Paganismo e Neopaganismo?
KMF: O termo Paganismo originalmente designava um morador do campo, um “rústico”, em seu uso primário, e, no entanto, este termo abraçou várias outras definições, bem como a das tradições não abraâmicas nativas, que antecedem a chegada do Cristianismo na Europa. Lógico que esta é uma super-simplificação, tendo em vista que a história do termo é facilmente encontrada por aí e não vejo como poderia acrescentar mais sem perder o foco desta entrevista. O Neopaganismo, por sua vez, é a restituição ou mesmo a reconstrução destes cultos pagãos que, em algum ponto do tempo cessaram sua existência, deixando somente traços acadêmicos, literários e artísticos, sem uma linha de sucessão iniciática.
CS: Ao que você se refere como “ethos” da Bruxaria e qual é esta diferença de “ethos” com o Paganismo?
KMF: Ethos é palavra grega que agrega os valores, a ética, os hábitos e a harmonia de uma pessoa ou grupo. É o que faz a diferença entre os grupos: a identidade social. Não há como falarmos do que constituiu a figura da bruxa sem mencionarmos os rastros históricos. Uma das primeiras menções históricas que temos da bruxa é proveniente da Mesopotâmia, através dos tabletes de argila encontrados pelas escavações arqueológicas. Se formos observar o Maqlu, que é uma coleção de tabletes que reflete as crenças oficiais daquela região, as bruxas poderiam ser provenientes de qualquer camada social, e ainda que fossem, em sua maioria, estrangeiras, elas podiam também estar presentes em uma grande variedade de profissões, sendo encontradas, ainda, na profissão de exorcistas.
A “bruxaria” no Maqlu está sempre associada à “magia maléfica”, e é no épico de Enmerkar e Ensuhkesdann que vamos encontrar pela primeira vez a diferença entre a “mas mas” e a “um ma” como referência às bruxas que operam à favor ou contra o rei, o que as distinguiria como “benéficas” ou “maléficas”, é então lógico que isto já dependia do ponto de vista, fosse do rei vencedor ou do rei vencido. Este aspecto dual da bruxa pode ser encontrado, por exemplo, na oposição entre Malandantie o Benadanti italianos, como descrito por Carlo Ginzburg[1].
Havia uma clara separação da figura da bruxa com a do sacerdócio oficial. Enquanto as bruxas claramente operavam com certos aspectos da deusaInanna (Vênus), os sacerdócios oficiais dos cultos aos deuses se encarregavam da “pureza” dos devotos frente aos deuses, combatendo, através de rituais de purificação, os efeitos dos bruxedos, considerados já naquela época, como o uso “ilegal” dos poderes divinos. Por “ilegal”, devemos entender “o que não era autorizado”, ou seja, sancionado pelos cultos estruturados a cada um dos deuses. É uma zona “cinzenta”, vamos assim dizer. Historicamente vamos encontrar a figura da bruxa ligada à necromancia e adivinhação (como a bíblica de Bruxa de Endor, por exemplo), às transformações (como Circe e Medeia), e aos feitiços de cordas, amuletos, bonecos e encantamentos dos mais variados, ou seja, não dá para desligá-la de sua característica mais proeminente: a arte da feitiçaria, de moldar a realidade através do conhecimento da natureza, da magia.
CS: Você quer dizer então que um Pagão não é um Bruxo?
KMF: Não. O que quero dizer é que qualquer pessoa que se dispuser a trabalhar “bruxaria” pode ser considerada uma “Bruxa”, inclusive um pagão, no entanto o contrário não é necessariamente aplicável. Historicamente sempre houve um consenso neste sentido, jamais do contrário como hoje alguns grupos fazem, tomando o termo de forma egoísta e mostrando uma agenda focada no “controlar”, ao invés do “informar”, ou ainda, construindo híbridos inexplicáveis que não encontram pares em qualquer lugar do mundo. Retornando ao ponto, um Pagão é aquele devoto de um deus cujo culto é antigo, pré-cristão, que é estruturado com regras, dogmas e doutrinas. Ele não opera em uma “área cinzenta” se estiver sancionado pelo seu culto. Um Neopagão, por sua vez, é um devoto de um deus cujo culto foi em algum lugar da história, extinto, ou seja, não possui uma linha de sucessão iniciática. Durante um processo de reconstrução estes aderentes podem abrir espaço para incorporar seus anseios, práticas e ensinamentos da maneira que acham mais acertados.
Uma característica muito visível nas reconstruções é que elas geralmente operam em uma forma de “multi-sacerdócio”, numa tentativa de ressuscitar todo um panteão que acaba falhando na especialização dos deuses, como podemos observar amplamente nos cultos pagãos originais. Esta idéia de “multi-sacerdócio” foi incorporada a uma forma específica de bruxaria (a Wicca), logo, esta obrigatoriedade sacerdotal em toda a Bruxaria não é procedente, mas uma falácia. O que fica claro em toda a história da humanidade é que o Bruxo, não importando qual é a religião vigente ou da moda, sempre operará nesta área cinzenta entre a crença religiosa e o que é proibida nela. É suficiente observar a prática das benzedeiras, que sempre gerou condenações por parte da Igreja Católica embora elas sempre se considerassem “boas cristãs”. O que aconteceu com a prática das benzedeiras foi simplesmente uma “importe” de práticas que pré-datavam o cristianismo para uma linguagem da religião oficial. É desta zona cinzenta que falo. Contudo, com a liberdade religiosa que encontramos hoje em dia, é de total escolha da Bruxa de aderir ou não à uma religião Pagã ou Neopagã, se esta escolha permite as operações nesta “zona cinzenta” ou não, ou ainda, se ela vai acatar as regras, ou não.
CS: Se entendermos Bruxaria desta forma, como poderia existir esta Bruxaria Tradicional, já que parece ser uma coisa estruturada?
KMF: O termo “Bruxaria Tradicional” foi cunhado pelo falecido Robert Cochrane em 1964, como uma forma de separar as práticas legadas das práticas criadas/repaginadas. Esta primeira referência surgiu no artigoWitchcraft Today, escrito para a revista Pentagram[2], e que mais tarde foi organizada no livro “The Roebuck in the Ticket, An Anthology of Robert Cochrane Witchcraft Tradition”[3], muito mais como uma forma de evitar a generalização de toda a bruxaria como se fosse unicamente a Wicca difundida por Gardner. Cabe então analisar sucintamente os termos “Bruxaria”, e “Tradicional” separadamente para que possamos entender exatamente do que se trata.
Por “Bruxaria” podemos compreender que se trata de ações que independem de religião ou localização no planeta, bastando a crença nos poderes invisíveis de deuses, espíritos, gênios, etc., que visem a transformação e/ou manipulação destas forças para alterar uma realidade, interna ou externa ao próprio operador. Seus métodos são pragmáticos, e somente as operações que realmente são eficientes são as que sobrevivem através dos tempos. É este o fator de consenso histórico, o que pode ser encontrado em estudos acadêmicos sobre a história factual da bruxaria, e que difere dos mitos dos atuais aderentes das “religiões” chamadas de “bruxas”.
Tradição é uma expressão do ethos de um grupo ou sociedade, composto de conhecimentos acumulados, crenças, valores e costumes. Ela é proveniente do latim “tradere, traditio, ou ainda traditionis”, que significa trazer, entregar, transmitir. Assim, ela transmite certo conteúdo que pode ser uma memória cultural, espiritual e material. Este conteúdo geralmente é um conjunto de idéias, recordações e símbolos que passam através de gerações. A Tradição, via de regra, é uma doutrina, uma cosmovisão e não um dogma. A partir de uma Tradição, é possível encontrar correlações com todas as outras, por mais diferentes que sejam suas origens, sem, no entanto perder a atenção os elementos que dão o contexto cultural dela, ou seja, suas similaridades e diferenças são importantes. A Tradição só não conhece fronteiras. Infelizmente em nossos dias é comum ater-se somente ao aspecto de legado, sem haver um critério específico no conteúdo ou qualidade deste legado.
Portanto, quando falamos de “Bruxaria Tradicional”, estamos falando da defesa à multiplicidade das expressões tradicionais, reconhecendo os pontos em comum que todas elas possuem. Isto significa que é necessária umaperspectiva tradicional. É caminhar na circunferência de um círculo sem perder de vista o ponto, o centro, o eixo central de sua própria condição, o seu papel no mundo.
O termo “Bruxaria Tradicional” não deve ser confundido como uma única “tradição da terra”. Ele é um termo que abarca estas tradições, e, portanto, um bruxo tradicional, como não encara a “bruxaria” como uma religião a que se deva converter, fica livre para estudar e se submeter a iniciações em diversos cultos específicos a deidades que encontrarem ressonância com sua própria convicção e conexão espiritual, visando acumular conhecimento o suficiente para atingir seu ponto de iluminação. É uma questão de utilidade, de se estar equipado da melhor forma para atingir seus propósitos no mundo ou além dele…
CS: E qual a diferença entre Bruxaria Tradicional e Bruxaria Hereditária?
KMF: É mais simples dar um exemplo: Se você é nascido e criado basco, você terá um conjunto de valores passados pela sua família. Ele é passado pelo sangue e pela palavra. Você pode se considerar um Bruxo Hereditário. Agora se eu sou “adotada” em sua família, eu sou uma Bruxa Tradicional: sou alguém que recebeu a “palavra”, ou seja, “a transmissão/tradição”. Não é incorreto um Bruxo Hereditário se chamar de Tradicional, pois ele também carrega a “tradição”, mas é incorreto um Bruxo Tradicional dizer ser um Bruxo Hereditário, por que não houve ali transmissão sanguínea. É uma questão de reconhecimento de parentesco.
CS: Um Bruxo Tradicional pode, então, misturar elementos de vários cultos em suas práticas?
KMF: Isto é parcialmente verdadeiro. Se tenho que trabalhar um feitiço, visualizo qual seria a melhor método para alcançar minha meta. Caso a decisão seja trabalhar com Voodu Haitiano, um culto bastante feiticeiro (como poucos) no qual sou iniciada, não misturo outros elementos senão os feitiços que já existem dentro desta tradição. Ou mesmo se decido trabalhar com Kimbanda, isto será feito somente dentro daquele contexto. Logo, se vou trabalhar um feitiço rural europeu, certamente vou fazer isto dentro de um círculo mágico dedicado ao patrono da minha tradição.
Nem todo Bruxo Tradicional é iniciado em vários cultos, mesmo sabendo que nada o impede disto. Isto é uma preferência pessoal, e não obrigatória. O que chamamos de “Bruxaria Tradicional”, com base na definição original deste termo é esta visão, esta perspectiva, esta liberdade de escolher as melhores “tecnologias”, ao entendermos que estas tradições se tocam pela similaridade mitológica e prática.
CS: Mas onde todas estas Tradições se tocam?
KMF: É aqui que entra a importância do estudo de religiões comparadas, não só nos mitos, mas em suas formas de culto. Se nos focarmos somente na mitologia, podemos mencionar a similaridade de poderes e mitos entre o deus ferreiro Hefesto, Tubal Caim, Ogun, Vulcano, Ptah, Brahmanaspati, Tchuang-tsé, Bung, etc. Todos eles, invariavelmente, falam de uma forja que é material e também simbólica, que representa todo o processo de formação, purificação e conformação do metal, um processo alquímico externo e interno.  Ao mesmo tempo, eu não sou iniciada no culto de Ptah, e então eu jamais me atreveria em trabalhar uma petição com ele. Se tenho em mãos um feitiço onde ele figura, posso conseguir os elementos a ele consagrados através de um sacerdote de seu culto e operar em um feitiço com estes elementos. Historicamente as bruxas adoravam roubar hóstias e pedras de ara das igrejas para trabalhar seus feitiços e, até onde temos relatos, nenhuma delas teve que virar freira para isto. Desde que o Cristianismo penetrou na Europa revestindo muitos dos deuses pagãos, as práticas que lidavam com deidades também foram importadas para dentro daquele contexto. Eu realmente compreendo a finalidade deste processo de ressurreição de deuses pagãos, mas penso que enquanto os bruxos modernos estiverem muito ocupados em fazer oposição à ICAR e a todos os elementos pertencentes a ela, eles só demonstram que ainda não conseguiram discernir a completa dimensão espiritual da Bruxaria, nem mesmo a que seus próprios deuses podem fornecer.
CS: Bruxos Tradicionais são elitistas?
KMF: Em certo sentido poderíamos dizer que sim. Não conseguimos visualizar uma “bruxaria de massa”, desde que tradicionalmente os grupos são compostos de poucos elementos, ligados pelo “sangue” e “chamado”. Não há como expulsar uma pessoa da “família”, uma vez que ela está dentro. Aqueles que não compreendem este caráter “elitista” são justamente aqueles que enxergam bruxaria como uma espécie de “sistema” ou “ordem”, onde a possibilidade de expulsão de um membro realmente existe. Devo ainda ressaltar que nos últimos anos houve uma campanha gigantesca para associar o elitismo natural de uma família como se fosse algo esnobe. Isto está totalmente longe da realidade.
Eu poderia dizer que a família “de Mattos”, para citar um exemplo, é elitista. Ali só entra os que são “de Mattos”, tanto de sangue quanto os “adotados” na família. Ninguém iria achar isto uma forma de “esnobismo”. Isto foi causado muito mais por um sentimento ruim daqueles que se sentiram de, alguma forma, excluídos, não só das “famílias” de Bruxaria Tradicional quanto de suas complicadas perspectivas, quando observadas dentro de um contexto Pagão/Neopagão ou Wiccano. Sempre houve uma tendência, até mesmo tradicional, de preservar nossas práticas – tão incompreendidas – longe dos olhos daqueles que não pertenciam à nossa família.
CS: O que mudou para que você e outros Bruxos Tradicionais passassem a revelar o que antes era mantido secreto?
KMF: Eu não acho que revelei muito aqui, nada além da perspectiva interna da Arte, nem do que qualquer pessoa poderia em qualquer momento captar prestando atenção na história da Bruxaria e aprendendo a descartar os milhares de mitos que se desenvolveram nesta era de “religião fast-food”. Contudo, se hoje fiz questão de expressar isto tudo da maneira mais simplificada que pude, é porque já existem aqueles que querem institucionalizar a bruxaria, bem como a bruxaria tradicional como um todo estruturado, quasi-pagão, recheados de ideologias militaristas-salvacionistas, em defesa de valores que não correspondem nem ao mito e muito menos à realidade, com uma agenda de “controle de qualidade” que teima em desrespeitar e descaracterizar o verdadeiro significado do que é a Bruxa tradicionalmente.
Com a popularização desta corrente de pensamento de bruxa-sacerdote, aumentou também o número de pessoas preocupadas em obter o sacerdócio dentro de cultos e tradições que não possuem uma sucessão iniciática tradicional. Alguns, menos escrupulosos, talvez bem intencionados, talvez desesperados e perdidos no medo do anonimato, ou ainda visando um retorno financeiro, forjaram estas linhagens do dia para a noite. Houve alguma variação no processo de estudo para montar seus sistemas e seus diferenciais, e é possível observar que alguns conseguiram montar sistemas coesos, onde elementos de bruxaria são sustentados por fontes clássicas, outros, com elementos encontrados na literatura popular americana, e alguns têm a pequena constituição, simplesmente plagiando material. É este o pequeno universo “bruxo” da era web, onde falsidades são defendidas a unhas e dentes. É triste.
Como disse antes, acredito que a doutrina deva prevalecer, contrariamente às tentativas de se alimentar o dogma, quando se criam associações, federações, conselhos e igrejas.
CS: E qual é o seu ganho em revelar?
KMF: Para ser sincera não vejo ganho algum com isso. Eu não dirijo nenhuma associação, federação, conselho ou igreja: ou seja, não tenho a intenção de controlar ninguém com essas informações. Nossa “família” há tempos ultrapassou os limites de membros, bem como os geográficos, e nosso “reconhecimento” é internacional. Meu marido havia publicado livros sobre tema no exterior que foram extremamente bem recebidos, e aqui já há um traduzido e outros, de temas diversos, a serem traduzidos.
Por outro lado, sempre achei que a Bruxaria é um chamado do sangue, do espírito e da terra. Eu entendo que não somos os únicos apaixonados pela sabedoria da natureza, e são muitas as pessoas que chegam com o coração atribulado e a mente queimando pelas questões que alguns deixam vagar sem respostas, ou simplesmente com respostas que não correspondem com a realidade factual. Eu também vejo que existem muitas tentativas de pessoas querendo se tornar líderes usando falsas premissas e me chateia muito ver que estas falsas premissas fazem com que muita gente desista deste caminho tão maravilhoso que é a Bruxaria. Ultimamente ando tentando usar o veneno para fabricar um antídoto, ou seja, usando destas falsas premissas para indicar as premissas corretas, que encontra respaldo acadêmico (e não de copy/paste de materiais da internet), e então eu gostaria de agradecer às resistências pelas sugestões e idéias. Eu diria que revelo pela utopia, pela identificação com aqueles pouquíssimos que se dão ao trabalho de guiarem suas próprias vidas espirituais e que se recusam a fazer parte do rebanho.
CS: Percebi que você tenta fugir do emprego da palavra Religião. Poderia dizer o porquê?
KMF: Eu não acredito que possamos ligar o que nunca esteve desligado. Se continuamos respirando, “se somos”, como estaríamos desligados do Criador – seja ele/ela o nome que se der? Eu acredito que seja muito mais uma questão de lembrar do vínculo do que vincular. Gosto muito da expressão “Tradição” porque ela engloba todos os aspectos que considero importante na jornada humana, desde que parte da gênese ao cultural que se vivencia. Mas lógico, esta é uma opinião muito pessoal, nem sempre compartilhada por meus pares.
CS: Para finalizar, gostaria de perguntar se é possível para qualquer um abrir seu próprio grupo (Clã, Cuveen) de Bruxaria Tradicional.
KMF: Sim, e sem precisar de linhagens forjadas!
Definimos os quatro pilares essenciais da Bruxaria Tradicional como segue:
1 – Uma mundovisão tradicional
2 – Sucessão horizontal linear (horizontal)
3 – Ingresso espiritual (vertical)
4 – Valores tradicionais
Para o primeiro item é necessária a completa noção do que Tradição – e aqui eu indico firmemente os escritos de René Guenón. Para o segundo, o poder deve ser passado por uma pessoa que tenha real conexão espiritual, e isto nós temos abundantemente no Brasil, na figura que se expande da benzedeira à parteira, à médium clarividente e ao curandeiro. Para o terceiro, é necessário se fazer uma conexão direta com a terra, com os espíritos conectados a ela e saber trabalhar a verticalidade, ou seja, suas ligações divinas/celestes. Os valores tradicionais são os fundamentos do “ethos” do grupo em questão, e neste caso, talvez seja necessário mencionar os nossos para exemplificar: Verdade, Honra e Ancestralidade.
É bom deixar claro que quando falo de conexão com a terra, isto implica em se “adotar” uma terra para chamar de sua. Vale a do irmão espiritual, vale o parque nacional. O importante é criar uma “relação” com os espíritos de uma terra em particular, lembrando que cada terra tem “colorações diferentes” que vão influenciar no próprio poder do Bruxo.
Agora, antes de sair por aí “abrindo” clãs, o líder e fundador deve ficar avisado de que esta é uma grande responsabilidade, e, portanto, uma análise profunda de suas motivações deve ser considerada. Um verdadeiro líder, umMagister, deve ser a “pedra fundamental” do grupo, não buscando forçar um consenso, mas modelá-lo de acordo com os valores tradicionais. A marca de um verdadeiro líder é a humildade, e sabemos quando temos o líder certo quando temos que apontá-lo, e não simplesmente engoli-lo a seco, em especial quando ele parece ser justamente aquele que precisa de maior amadurecimento espiritual. Fuja destes, e, como sempre sugiro, questione sempre!
Katy de Mattos Frisvold é peregrina iniciada da Arte Tradicional em várias das manifestações nas quais ela se desdobra. Dentre as mais famosas, a Via Vera Cruz e o Lilium Umbrae Cuveen, a mais recente extensão doClan of Tubal Cain da Inglaterra. Atualmente, dedica seu tempo entre a profissão de tradutora de livros ocultistas, escrevendo esporadicamente para seu blog www.diablerie.com.br, e o dia a dia do campo. Mora em Extrema-MG com seu marido, o autor norueguês Nicholaj de Mattos Frisvold.
Bibliografia Recomendada:
Ankarloo, Bengt & Clark, Stuart (2004). Bruxaria e magia na Europa(todos os seis volumes), Editora Madras
Agrippa, Henry Cornelius (1531/2008) Três Livros de Filosofia Oculta. Editora Madras.
Cochrane, Robert & Jones, Evan John (Ed. Mike Howard). 2001. The Roebuck in the Thicket. Cappall Bann.
Cochrane, Robert & Jones, Evan John (Ed. Mike Howard). 2002. The Robert Cochrane
Frisvold, Nicholaj de Mattos (2010). Artes da Noite. Editora Rosa Vermelha
Frisvold, Nicholaj de Mattos (prev 04/2011). A Arte das Indomadas. Editora Rosa Vermelha Ginzburg, Carlo (1991). Ecstasies. Deciphering the Witches’ Sabbath. Penguin. NY
Guenón, René (1977). “A Crise no Mundo Moderno”, Editorial Vega
Hutton, Ronald (1999). The Triumph of the Moon. Oxford University Press.UK
Jackson, Nigel (1996). Masks of Misrule. Capall Bann. UK
Summers, Montague (1945). Witchcraft and Black Magic. Rider & Co.London
Sussol, Max (1995). O Livro dos Benzimentos Brasileiros. DCL. SP.
Thorndike, Lynn (1929). A History of Magic and Experimental Science.
The Macmillan Walter, Philippe (2007). Christianity; The origins of a Pagan Religion. Inner Traditions. Vermont
Walker, D.P. (2000) Spiritual and Demonic Magic. Penn. US
Weyer, Johann (1577/1991). Witches, Devils and Doctors in the Renaissance. Center for Medieval and Early Renaissance Studies. Universityof New York. NY
Wilby, Emma (2005) Cunning Folk and Familiar Spirits. Sussex Academic Press. UK
[1] Vide, Ecstasies, Decifrando o Sabá das Bruxas
[2] Edição no. 2, de Novembro de 1964.
[3] Evan John Jones & Robert Cochrane, editado por Mike Howard, Capall Bann Publishing, pg 51

domingo, 17 de abril de 2011

Afastando o indesejado

Afastando o indesejado

Três galhos de arruda, três alhos cortados em X, três pimentas malaguetas, um recipiente que agüente calor, sal, um papel onde você possa escrever o nome da pessoa que em questão o/a incomoda.
Pedindo:
“Afaste-se maldita fera, de língua ferina, tão longe como seja possível, para que mal algum me cause”.
Acrescente água e óleo ao alho e pimenta, e arruda, e papel, assim como uma vela flutuante preta, que você acenderá durante 9 dias, por uma hora pelo menos.
Nesse nono dia, esvazie o recipiente, enterrando o conteúdo num buraco na terra, fora de casa.
Sempre grata,

sexta-feira, 18 de março de 2011

A magia é um caminho desconhecido, assim como a escuridão da noite. E ao mesmo tempo assustadora, tornando-se um desafio para renunciarmos aos nossos medos e mergulharmos neste mundo secreto, que quanto mais se caminha, mais se descobre o que há por trás da penumbra. A bruxaria é um mundo oculto pelas sombras da noite, em que só a bruxa, por si própria, poderá descobrir o caminho certo, confiando na sua eterna aliada, a lua, que é a luz da Deusa. Uma bruxa acomodada jamais será sabia, porque o conhecimento oculto não é recebido e sim procurado. O segredo é confiarmos na luz interior que nos guiará adiante no caminho da procura, que começará neste momento, nesta noite de iniciação. A hora é agora que o ritual se inicie."

Morgana - As Brumas de Avalon

sábado, 12 de março de 2011

Ave maria das mulheres.

Ave maria das mulheres.


Mãe,
Aqui, agora e a sós
Quero lhe pedir por todas nós
Por aquelas que foram escolhidas
Para dar a vida
Mulheres de todas as espécies
De todos os credos, raças e nacionalidades ;

Todas aquelas nas quais a vida
Está envolvida em sorrisos, lágrimas,
tristezas e felicidades
Aquelas que sofrem por filhos
que geraram e perderam
As que trabalham o dia inteiro
Em casa ou em qualquer emprego;

Quero pedir pelas mães
Que penam por seus filhos doentes
Quero pedir pelas meninas carentes
E pelas que ainda estão dentro de um ventre;

Pelas adolescentes inexperientes
Pelas velhinhas esquecidas em asilos
Sem abrigo, sem família, carinho e amigos
Peço também pelas mulheres enfermas
Que em algum hospital
aguardam pela sua hora fatal;

Quero pedir pelas mulheres ricas
Aquelas que apesar da fortuna
Vivem aflitas e na amargura
Peço por almas femininas mesquinhas,
pequenas e sozinhas
Por mulheres guerreiras a vida inteira
Pelas que não têm como dar a seus filhos
o pão e a educação;

Peço pelas mulheres deficientes
Pelas inconseqüentes
Rogo pelas condenadas,
aquelas que vivem enclausuradas
Por todas que foram obrigadas
a crescer antes do tempo
Que foram jogadas na lavoura
Ou em alguma cama devastadora;

Rogo pelas que mendigando nas ruas
Sobrevivem apesar dessa tortura
Pelas revoltadas,
as excluídas e as sexualmente reprimidas;

Peço pela mulher dominadora e pela traidora
Peço por aquela que sucumbiu sonhos dentro de si
Por todas que eu já conheci
Peço por mulheres solitárias e pelas ordinárias
As mulheres de vida difícil
e que fazem disso um ofício
E pelas que se tornaram voluntárias
por serem solidárias;

Rogo por aquelas que vivem acompanhadas
Embora tristes e amarguradas
E por todas que foram abandonadas
As que tiveram que continuar sozinhas
Sem um parceiro, um amigo, um ombro querido;

Peço pelas amigas
Pelas companheiras
Pelas inimigas
Pelas irmãs e pelas freiras
Suplico por aquelas que perderam a fé
Que se distanciaram da esperança
Quero pedir por todas que clamam por vingança
E com isso se perdem em sua inútil andança;

Rogo pelas que correm atrás de justiça
Que a boa vontade dos homens as assista
Peço pelas que lutam por causas perdidas
Pelas escritoras e as doutoras
Pelas artistas e professoras
Pelas governantes e pelas menos importantes
Suplico pelas fêmeas
que são obrigadas a esconder seus rostos
E amputadas do prazer vivem no desgosto;

Quero pedir também pelas ignorantes
E por todas que no momento estão gestantes
Por aquela mulher triste dentro do coração
Que vive com a alma mergulhada na solidão
Por aquela que busca um amor verdadeiro
Para se entregar de corpo inteiro
E peço pela que perdeu a emoção
Aquela que não tem mais paz dentro do coração
E rogo, imploro, por aquela que ama
E que não correspondida, vive uma vida sofrida
Aquela que perdeu o seu amor
E por isso, sua alma se fechou
Por todas que a droga destruiu
Por tantas que o vício denegriu
Suplico por aquela que foi traída
Por várias que são humilhadas
E pelas que foram contaminadas;

Mãe,
quero pedir por todas nós
Que somos o sorriso e a voz
Que temos o sentimento mais profundo
Porque fomos escolhidas tanto quanto você
Para gerar e, apesar de qualquer coisa,
Amar...
Independente de quem forem nossos filhos
Feios ou bonitos
Amáveis ou rebeldes
Perfeitos ou deficientes
Tristes ou contentes

Mãe,
ajuda-nos a continuar nessa batalha
Nessa guerra diária
Nessa luta sem fim
Ajuda-nos a ser feliz como a gente sempre quis
Dai-nos coragem para continuar
Dai-nos saúde para ao menos tentar
Resignação para tudo aceitar
Dai-nos força para suportar nossas amarguras
E apesar de tudo
continuarmos a ser sinônimo de ternura;

Perdoa-nos por nossos erros
E por nossos insistentes apelos
Perdoa-nos também por nossas revoltas
Nossas lágrimas e nossas derrotas
E não nos deixe nunca mãe, perdermos a fé
E sempre que puder
Peça por nós ao Pai
E lembre-lhe que quando ele criou EVA
Não deixou com ela nenhum mapa de orientação
Nenhum manual com indicação
Nenhuma seta indicando o caminho correto
Nenhuma instrução de como viver
De como, a despeito de tudo vencer
E mesmo assim.....conseguimos aprender.
Amém!

retirado de: http://contossollua.blogspot.com/2011/03/ave-maria-das-mulheres.html